terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ensaio de Desconexão do Eu-Sensível em Direção ao Nada

video

Experimento Áudio-Visual:
Ensaio de Desconexão do Eu-Sensível em Direção ao Nada

(trabalho feito para a disciplina Estética Filosófica, ministrada pelo professor Lourival Hasido)


Na contemporaneidade das artes é crescente a utilização da instalação como linguagem (media, meio) de expressão. Subvertendo e inserindo novos elementos a planaridade que a pintura introduziu a história da arte. A instalação é, geralmente, constituída por objetos que são arranjados no espaço expositivo e que funcionam enquanto conjunto. Os objetos são partes do todo-instalação.

Neste trabalho apresento uma instalação sonora. A ser apresentada em um espaço vazio, escuro e um vídeo. O vídeo foi construído partindo do software Windows Movie Maker sem imagens. O software automaticamente insere a cor preta para a representação da falta de imagens. O trabalho é apresentado enquanto discurso de um interlocutor-propositor que tenta abandonar os sentidos e a memória. Construindo em seu discurso a desconexão do sensível em direção ao inteligível. O trabalho segue uma linha que atualmente vem sendo utilizada na produção contemporânea que é a criação de paisagens sonoras partindo de uma proposição dialética, o artista age somente como propositor e a construção imagética se dá pela visualização sensível e mnemônica partindo do discurso.

Por definição, quando se fala de existência se fala da existência de algo. O nada não é coisa alguma, logo não existe. O nada é um signo, uma representação linguística do que se pensa ser a ausência de tudo. O que existe são representações mentais do nada. Como uma definição ou um conceito é uma afirmação sobre o que uma coisa é, o nada não é positivamente definido, mas apenas representado, fazendo-se a relação entre seu símbolo (a palavra "nada") e a idéia que se tem da não-existência de coisa alguma. O "nada" não existe, mas é concebido por operações da mente.

Através do discurso e do vazio tento fazer pensar sobre o nada, propor o pensar, tanto a partir do título como da proposição na fala “penso”, talvez na proposição imperativa-reflexiva no eu-outro.

A negação da existência do som enquanto produto ato puramente sensível [pensar, construir fonemas (elementos sonoros), falar (criar sons)] é uma tentativa de desconstrução de todo o sensível-guia para o interlocutor, conduzindo-o ao pensar sobre a possibilidade da desconexão dos sentidos e da memória.

Depois da experimentação do trabalho de Mónica Lima Gomes no trabalho "E a Elipse Começa Aqui: Colapso da Sala de Cinema (Estudos oara Narrativas Cosmológicas)", 2009, Sala Poste-ITE, Porto-Portugal vide blog: http://monicalimagomescolapso.blogspot.com/.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

De volta a Planície de Bites...

Estudo de composição: durante acompanhamento da avaliação dos alunos de pintura; Meire saca a câmera e pinta com luz os bites cegos do suporte.


Casa dos meus olhos no Porto : FBAUP
Despedida noturna


Volto a casa da Mãe Joana, aos que tem paciência fiquem a vontade... aos que não, vejam as "figurinhas", nem todas são minhas, beleza...?
Voltar a minha casa sensível e real (de tijolos, aglomerantes e agregados) me deixou uns dois meses suspenso na realidade local, respirar novos ares me deixou um pouco mais exigente, mas continuo cheio de ar, também... Reacostumar, Redomesticar espaço, tempo e temperos.
Não tinha me dado conta de como estava amarelado e magro (imagem recorrente: aliens de MIB que correm atrás de café), pousar da terra de caras pálidas em terras de bronzeados, do "friozinho de ar-condicionado" a rua em terras de cozidos a vapor.
Há um ano partia, partido, mas ia...
Saudade lusitana...

Pois bem, tomando "ENFIM(S)" e partindo ligeiro, "Nessa casa não se dá novas boas vindas?", "'ôH' povo mal-educado!".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Louvre e Orientais

O Louvre nasceu em 1791 com a reunião, no palácio homônimo que já era residencia real, das obras confiscadas pela Revolução e provenientes das riquíssimas coleções dos reis da França e de importantes coleções particulares. As aquisições foram continuando a efectuar-se ao longo do século XIX, em especial com Napoleão I ( apesar das restituições feitas durante a Restauração) e com Napoleão III. No ´seculo XX, efectuaram-se outras aquisições que viriam a colmatara as lacunas do passado.
SPROCCATI, Sandro (org.). Guia de História da Arte. 3. Ed. LISBOA: Estampa, 1997.

Os flashes anunciam a inquietude dos japoneses e chineses em pertencer as imagens, frente a oxidação causada pelo uso indiscriminado destes. Linguas passeiam aos ouvidos e as infindáveis telas pedem uma contemplação de no mínimo uma semana. Saturação imagética de apenas um dia para contemplação.







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Exposição Mobilidade

Exposição dos alunos Erasmus e de Mobilidade com o Brasil, a exposição permanecerá do dia 04 de fevereiro de 2009 até o dia 20 de fevereiro de 2009, no Museu da Faculdade de Belas Artes do Porto.

Abertura da exposição
(aspecto do espaço e da montagem)

Meire conferindo o texto do trabalho exposto


Fotografias de Teresa Querejeta (Espanha), esculturas no chão de Tanile Santos (Brasil) e esculturas de Matiss Kalnins (Letônia)

Observação

Gonzalo Villaronga (Espanha)

Professora Graciele Machado (membro do conselho diretivo) falando sobre a importância da exposição, ao lado dela o professor Pinto Coelho responsável pela curadoria da exposição, de malha rosa listrada Joana da Assessoria Internacional da FBAUP

Estelle Fonseca (França)

Joachim Monvoisin (França)

Meire Tavares (Brasil)

Alise (Letônia)

Teresa Querejeta (Espanha)

Matiss Kalnins (Letônia)

José Cárcamo (Espanha)

Ao chão esculturas de Michaela Dasková (Rep. Tcheca), na parede trabalho meu e paralelo a exposição a performance do professor Pinto Coelho

Ao chão esculturas de Michaela Dasková (Rep. Tcheca), na parede trabalho meu e paralelo a exposição a performance do professor Pinto Coelho

Anna Pietrzak (Polônia)








Jan Löbl (Rep. Checa)

Jana Vidaurreta (Espanha)

Jana Vidaurreta (Espanha)

Jana Vidaurreta (Espanha)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Exposição Museu Faculdade de Belas Artes

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Caminhos do Porto


Caminhos do Porto

Serigrafia e linha de croche sobre papel

60 x 200 cm (aproximadamente)

2008


Quais os caminhos que um imigrante pode percorrer? A cidade do Porto com seus mapas tentam nortear o visitante que aqui chega ao encontro de sua arquitetura e seu patrimônio artístico e cultural. Cada mapa parece tentar apresentar todos os valores historicamente construídos. História de resistência e lutas para além mar. O pardal, ave abundante no Brasil, tenta se nortear por estes caminhos e tenta encontrar refúgio em uma terra onde os habitantes detem parte de sua história e de seus laços de sangue. Criando assim uma história comum entre a sua terra e Portugal.

O trabalho proposto trata-se de serigrafia e linha de crochê sobre papel. O processo de produção gráfica serigráfica cria uma imagem plana a superfície do papel. Na tentativa de subverter a planaridade da serigrafia com a colagem de matéria confere a gravura um relevo sugerindo caminhos e além disso uma instalação. Os caminhos que nortearão o retorno a sua terra e a possibilidade de retorno a esta. Voar e deixar os fios que fará voltar a pousar sobre solo lusitano.



terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Impressões e Crítica

Jardim da Faculdade, Hoje (11h40m)

Jardim da Faculdade, Hoje (11h40m)

Jardim da Faculdade, Hoje (11h40m)

Jardim da Faculdade, Hoje (11h40m)

Última aula de Crítica de Arte: Professor Helder Gomes a receber trabalhos de uma aluna)

Professor a chamar um a um e falar sobre os aspectos do ensaio crítico desenvolvidos

De pé: Carolina; com a mão levantada: Leonor; e tentando não aparecer na foto: Marta.


Quinze dias para o final do semestre. Interessante como essa semana, na segunda, me bateu um clima de despedida. Olhar todo o cenário ao qual participo(ei) e me ver quando iniciei tudo isso. Lembrei de quando cheguei no primeiro dia de aula (Crítica de Arte) e vi a imensidão de pessoas a frente, na escadaria. Me vi pequeno e com medo. Talvez o vermelho tivesse predominado meu semblante. Lembro de não frequentar a cantina, sempre cheia de pessoas, com medo ou vergonha. E hoje me pergunto vergonha de quê? Construi laços de amizade e estabeleci um fio que me guiará daqui a frente. Daqui ao desconhecido, a um novo começo. Observar-me envergonhado e ser o "Leâozinho" da Cantina, ou o "Marciano". "Leãozinho": em uma festa dos alunos de Escultura, no Pavilhão de Escultura, todos estavamos a beber e o churrasco de "febras", em um dia frio, todos se viram para Fernanda (uma amiga carioca) e perguntam "tem lume", eu espantado com a sutileza falei "se fosse no Brasil pediriam fogo, tens fogo (?)", viraram para mim e com um gesto fizeram-me "tigrão". Festas animadas. Por aqui, bebe-se na Faculdade. Cerveja, vodca... e isso é encarado de forma natural. O frio pede... "MARCIANO": Leonor ao se espantar com meu sobrenome tratou logo de me apelidar, e eu a ela de "Lagartixa" uma vez que ela mora em Paredes (hunrum! bom trocadilho). No momento experimento uma certa liberdade, todos os trabalhos já estão feitos e na próxima semana apresento o de Obra Gráfica no Museu da Universidade juntamente com alguns alunos da disciplinas. Sinto-me mais calmo e com uma inquietante certeza de que hei de deixar muito por esse solo. Hei de sentir saudade... semelhante a quando vim para cá. De coisas inconclusas do sentimento de falta. Saudade. Volto a fumar, coisa que fiz muito antes de vir. Artistas não servem para viver muito, eu sei(!), e tenho não me importado muito com o tempo. Tenho-o desperdiçado, tem escorrido pelos dedos e eu a me ver, a recordar.
Depois de uma sucessão de caminhos equivocados na disciplina de Crítica de Arte, finalmente um "A" e a certeza de que não sairei daqui com mais de dezesete valores (nota do melhor aluno da disciplina que fez um trabalho de 50 páginas, desconfio...), mas o que aprendi por cá me norteará em tudo o que fizer...
Ao sair da sala de aula, me deparo com coisas que nunca havia "avistado" antes: uma chuva de granizo. Pedras redondas de gelo a tornar a paisagem branca, parece sal... Mas que rápido dissolve-se. Céu cinza entrecortado por gotas de chuva e pedras brancas. Sentirei falta de tudo isso.
Voltarei ao meu lugar, minha terra e a minha Universidade e sentirei falta de tudo isso...
A saudade me bate com uma dualidade espacial e temporal, sinto falta dos que deixei e irei de sentir falta dos que estão por cá.
Não traço mais planos, deixo o desenrolar do fio me guiar...